Mens Sana in Corpore Sano.
Acho que todos nós já ouvimos essa frase. É uma famosa citação de origem latina que significa “uma mente sã num corpo são”. Isso traduz a interdependência entre corpo e mente: uma mente sadia leva a um corpo sadio; um corpo sadio traz tranquilidade e bem-estar.
Nosso corpo é uma máquina perfeita e nossa mente ainda guarda mistérios de seu poder para a Ciência. É balela a frase de que usamos apenas 10% de nossa capacidade mental. Quem quantificou isso? Como? Uma simples ressonância magnética mostra como um ato simples de estender o braço para pegar algo à nossa frente requer muito mais do que uma décima parte do cérebro. Mesmo quando dormimos o cérebro trabalha. Funções como respiração, atividade cardíaca e memórias são controladas pelo cérebro e não param.
Nesse cenário pandêmico, nossas vidas mudaram bastante. Isolamento, inseguranças e medos. Existem doenças psicossomáticas: estados de desequilíbrio da mente que afetam o corpo. Mas como esse desequilíbrio emocional pode afetar nossa máquina perfeita?
Vamos falar de dois hormônios que liberamos em situações de tensão: a adrenalina e o cortisol. A adrenalina é o hormônio do perigo. Ele nos prepara para lutar ou fugir, aumenta a frequência cardíaca e respiratória para levar mais oxigênio ao cérebro e músculos, onde, para isso, provoca uma vasodilatação, para passar mais sangue. Como curiosidade, quando uma parte do nosso corpo sofre vasodilatação uma outra deve sofrer vasoconstrição, por isso nosso rosto empalidece.
A adrenalina também promove um aumento do peristaltismo, contrações rítmicas e suaves que empurram o bolo alimentar e fecal ao seu destino final. Relaxa nossos esfíncteres para eliminação de fezes e excretas. O corpo trabalha para ficar mais leve, assim podemos correr ou lutar melhor. Perfeito!

O cortisol diminui a migração de glóbulos brancos para os locais inflamados, determinando menor liberação de substâncias capazes de dilatar as arteríolas da região e, consequentemente, há diminuição da reação inflamatória. Ele também causa um aumento a frequência cardíaca, deixando o corpo mais atento a possíveis situações de perigo. Estimula a conversão de proteínas e de gorduras em glicose. Isso eleva a concentração desse açúcar no sangue, a taxa metabólica e a geração de calor. Isso ajuda a enfrentar situações estressantes e períodos sem comida.
O estresse, originalmente, é um mecanismo de defesa. É uma atitude biológica necessária para a adaptação às situações novas e nos ajuda a enfrentar os problemas. O grande problema é que, no dia a dia, esse estímulo é contínuo. Vivemos sob estresse: o trânsito, o relatório atrasado, o compromisso adiado, a falta de dinheiro, cobranças.
São inúmeras agulhadas diárias que acabam por ferir nossa alma e corpo e tiram nosso sossego. Com isso, estamos constantemente liberando esses hormônios que acabam afetando nossa saúde e imunidade. Com a adrenalina e o cortisol agindo juntos, o coração é sobrecarregado aumentando um risco de AVC, o estômago libera mais suco gástrico e, como não há comida, a agressão à parede estomacal é grande e aumentam as chances de úlcera.

E a imunidade? Como é afetada?
O estresse reduz a produção de várias interleucinas (proteínas que ativam a resposta imune), a proliferação dos linfócitos (células produtoras de anticorpos) e influencia também na produção de monócitos (células que englobam e destroem microrganismos) podendo assim desencadear a supressão da resposta de todo o sistema imune.
O estresse, então, reduz a capacidade de proliferação e ação dos leucócitos, através da ação de hormônios, principalmente o cortisol, quando liberado cronicamente.
Isso faz com que o corpo afrouxe suas defesas. Assim, ficamos mais vulneráveis a doenças. Além disso, o corpo gasta muita energia e fica esgotado, esperando por uma ameaça que nunca chega. Isso pode causar alterações no sono, atrapalhar a cognição, causando problemas de memória e concentração, além de diversas enfermidades, inclusive alguns tipos de cânceres.
De acordo com Ana Maria Rossi, doutora em psicologia clínica e presidente da ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil), a imunidade pode ser afetada até 24 meses após um evento estressor negativo! Loucura!
O que fazer?
Vamos lá!!!. Podemos tentar!!!
Dance ou pratique uma atividade física, como caminhada.
Cante.
Durma 8 h por dia.
Evite álcool, nicotina e cafeína.
Deite-se na grama.
Converse com as pessoas.
Abrace. Nesses tempos é difícil, mas há de ter alguém que possa abraçar. Não se esqueça do seu cachorro ou gato. Não tem um? Tenha!
Procure ter uma alimentação equilibrada com minerais, fibras e proteínas para se manter ativado e funcional. Isso porque o estresse também vai interferir na absorção de vitaminas importantes, como as do complexo B.
Sorria!
Sorria e sorria!

Rosana Jorge Celiberto (Rosaninha)
Professora de Ciências do Fundamental II e Biologia do Ensino Médio do Colégio Spinosa
Bacharel e Licenciada em Biologia pela UNISA
Participação em artigo científico e livros na área da Educação

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