Dois fatores importantes devem ser observados, principalmente quando consideramos em atender a demanda que surge no momento que passamos. Primeiramente, pensamos em estarmos preparados em relação ao acolhimento dos nossos alunos e o outro aspecto, tão importante quanto, e também associado ao primeiro, é voltarmos nossa atenção aos fatores emocionais.

De acordo com a BNCC as competências socioemocionais são fundamentais para o convívio e aprendizagem das crianças nos dias atuais. Diante dessa necessidade, promovemos junto aos educadores reflexões sobre a construção de si como pessoa, auxiliando-os a alcançar segurança e autonomia para a sala de aula.  Elas têm o objetivo de desenvolver atitudes e comportamentos nos alunos capazes de fazê-los lidar, de maneira eficaz e ética, com os desafios e situações cotidianas.

A nova BNCC apresenta um novo conceito: as competências que deverão ser dominadas pelos alunos ao longo dos anos escolares. A partir daí, entre as metas de aprendizagem estão incluídas as competências socioemocionais, consideradas fundamentais para o convívio e assimilação do indivíduo nos dias atuais. Essas habilidades, que focam em aptidões não cognitivas, ganharam reconhecimento nos últimos anos devido à percepção de que, quando os alunos aprendem a administrar as próprias emoções, é possível notar um impacto positivo na maneira como absorvem o conteúdo. E isso pode influenciar a vida como um todo.

aprendizagem, voltada aos sentimentos e emoções, é importante para o bom desenvolvimento dos alunos, sobretudo em escolas de educação infantil. Com a aprovação e aplicação da Base Nacional Comum Curricular, estes aspectos tiveram grande ênfase no processo de ensino-aprendizagem em sala de aula. De acordo com programas globais de educação, aplicar as competências socioemocionais entre os pequenos gera uma série de impactos positivos em várias esferas da vida de uma criança.

É necessário dar o devido espaço às emoções e sentimentos dentro do ambiente escolar, visto que são fundamentais para o convívio e assimilação do indivíduo nos dias atuais.

Ansiedade, estresse, insegurança, dificuldade de concentração e outros sentimentos negativos não combinam com aprendizagem. Essas emoções interferem negativamente nas práticas pedagógicas e prejudicam o desenvolvimento intelectual. Além das questões relativas aos protocolos de higienização e o distanciamento, destacamos que é preciso maior atenção aos aspectos emocionais, valorizando a saúde das nossas crianças.

Bem antes da pandemia, a escola já era vista como uma extensão da casa e o afastamento social fez disso uma realidade. Assim, a casa virou o ambiente de trabalho para os pais e de estudos para os alunos e, como consequência, essa transformação no ambiente não só limitou o contato pessoal, como também trouxe à tona questões delicadas, como o luto, o medo e a ansiedade. O isolamento social trouxe privações, incertezas, novos hábitos, uma mistura de sentimentos e emoções. A maioria das crianças acabam retornando ao funcionamento normal e típico do seu cotidiano, quando recebem apoio consistente de cuidadores sensíveis e receptivos.

 

Atualmente, retomamos as aulas; um momento muito esperado. Esse novo encontro, esteve marcado por diferentes estratégias, pela reinvenção de novas relações afetivas e, além do trabalho pedagógico, pudemos repensar em outros combinados para a rotina, que está sendo inteiramente diferente. Essa nova realidade é um grande desafio para o colégio, sobretudo para os professores que são o porto seguro dos alunos. Portanto, o acolhimento é estendido a todos.  Sabemos da importância em termos espaços de troca para favorecer as práticas e aprendizados, além do oferecimento de recursos que possibilitem o atendimento aos cuidados em geral.

Dentro do ambiente escolar formamos uma rede colaborativa, onde todos têm a oportunidade de falar e serem ouvidos. Além do olhar atento e da escuta, criamos rodas de conversa e outras dinâmicas para favorecer o diálogo e a elaboração dos conteúdos afetivos. O preparo emocional é tão importante quanto os projetos pedagógicos e os protocolos sanitários, afinal, esse período singular que vivenciamos de isolamento social fez com que mudássemos nossas vidas: rotina e espaço de trabalho, atendimento aos alunos e familiares, orientações aos educadores para as aulas remotas e muito mais!

Há uma infinidade de possibilidades de demonstrações de afeto; não há receitas para lidar com elas. Para cada uma, pensamos em uma forma de abordagem. Ouvir e acolher a criança e o jovem é sempre o primeiro e mais valioso apoio.

Além de manter as crianças fisicamente seguras, durante a pandemia da COVID-19, também é fundamental cuidar da saúde emocional delas.  O principal fator na recuperação de um evento traumático é a presença de um adulto solidário e atencioso na vida de uma criança. Distanciamento social não deve significar isolamento social. As crianças, especialmente crianças pequenas, precisam de tempo de qualidade com seus cuidadores e outras pessoas importantes em suas vidas. A conexão social melhora e todos se ajustam a um novo senso de normalidade. É necessário ver nos alunos seus pontos fortes e enfatizar a esperança e positividade. As crianças precisam se sentir seguras, positivas e os adultos podem ajudar, criando soluções criativas com estratégias interessantes.

Ressaltamos o quanto a educação socioemocional é de extrema importância neste período e, principalmente, trazendo um olhar de ressignificação, isto é: atribuir um novo sentido aos acontecimentos por meio da mudança da nossa visão de mundo; e se o mundo inteiro mudou diante deste cenário inédito que é pandemia, essa reinvenção só está sendo possível diante da postura de cada pessoa envolvida com a educação. É sabido que estamos exaustos de vivenciar tantas incertezas e não saber quando o cenário irá se firmar, mas sabemos da extrema importância trazer esse novo olhar e transformar. Também valorizar as práticas e aprendizados, além do oferecimento de recursos que possibilitem a formação e cuidado com todos. O momento atual é desafiador e isso afeta nossas emoções, então, é preciso cultivar uma boa relação com o outro e, principalmente, conosco. Acolher o que sentimos é fundamental.

Geralmente, as emoções básicas das crianças podem ser reconhecidas à primeira vista, já que elas são pessoas muito transparentes e mostram o que pensam e sentem. Essas sensações são respostas a estímulos externos e estão presentes desde o nascimento. As crianças lidam diariamente com muitas emoções. De acordo com programas globais de educação, considerar essa questão gera uma série de impactos positivos em várias esferas da vida de uma criança.

Trabalhar com sentimentos é possibilitar sua manifestação, favorecer uma tomada de consciência de si mesmo, de suas intolerâncias, alegrias, mágoas, desejos etc., buscando identificá-los, bem como ter a possibilidade de aprender a lidar com eles, não importando a faixa etária. Ao proporcionarmos momentos em que as crianças possam extravasar emoções e, mais profundamente, reconhecer sentimentos em sala de aula, estamos valorizando-os e mostrando que o que elas sentem é muito relevante e tem significado para nós como também de fato, nos importamos com elas.

Principalmente neste período de isolamento social, os trabalhos voltados para o reconhecimento e expressão dos sentimentos e emoções, fazem parte da formação da criança. É importante deixá-la expressar, manifestar e controlar progressivamente suas necessidades, seus desejos e sentimentos em situações cotidianas, respeitando as mesmas manifestações das pessoas com as quais convive. As relações sociais fazem com que o sujeito possa gostar de pertencer a um determinado grupo e sentir-se parte dele. Isto é uma conquista diária que acontece também na escola.

No momento, objetivamos garantir a convivência saudável em relação à execução dos protocolos de segurança devido à COVID , dar sequência aos projetos pedagógicos e, cada vez mais, estamos propostos a trabalhar com os aspectos socioemocionais; atendendo toda comunidade escolar, fortalecendo nossos vínculos e estreitando nossas relações.

Maria Teresa Giubilato Maciel

Licenciatura em Psicologia – Faculdade Paulistana

Bacharelado em Psicologia com especialização na área escolar – Faculdade ABC – Santo André

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