Segundo se conta, o povo maia chamava de “elixir dos deuses” o conhecido cacau.

Sua origem é proveniente da cultura asteca, e era consumido como bebida. Mas foram os maias que passaram a produzi-lo para fins de comercialização. O cacau tinha tanto valor para os povos da América Latina que era usado como moeda de troca. Os povos astecas e maias desenvolveram uma pasta, que era posteriormente dissolvida em água, de onde se obtinha uma bebida chamada Tchocolath.

            A chegada dos espanhóis ao México fez com que o produto fosse introduzido na Europa por volta do século XVI. Logo, vários países começaram a fabricar o chocolate. A Suíça foi o país a sair na frente em questões de produção, e já na metade do século se tornou o primeiro produtor mundial. Em 1876 o chocolate ao leite foi criado.

Em 1930, o alemão Henri Nestlé, criou o leite condensado e o chocolate branco. De lá para cá, o produto foi conquistando paladares ao redor do planeta e ganhou até mesmo uma data mundial para ser celebrado: 7 de julho.

Não se sabe ao certo o motivo da escolha do dia 7 de julho para celebrar esta data. No entanto, acredita-se que marque a introdução do chocolate na Europa.

O fruto do cacau não tem gosto de chocolate. A poupa do cacau in natura não tem o gosto e o cheiro característicos do chocolate. O aroma começa a ser desenvolvido na etapa de secagem da amêndoa de cacau (a semente do fruto), ainda na fazenda e é acentuado no processo de torrefação, que tira a umidade da amêndoa, antes dela seguir para o processo de moagem.

Mas vamos voltar para o presente. Como resistir a esse “elixir dos deuses”? Há chocolate de todos os tipos e para todos os gostos. E os bombons? Bombons só de chocolate, recheados, com coberturas especiais e formatos diversos.

Deixando essa história de lado, não tem jeito…sempre nos perguntamos: não vai engordar muito? Vai elevar o colesterol? E as espinhas?

Que dúvida! Será que ele é um herói desleixado ou um vilão disfarçado?

Vou tentar te ajudar mostrando os dois lados desse pedaço de mal caminho chamado chocolate. Vamos juntos analisar os prós e contras.

♥ Efeito antioxidante

Alguns estudos dizem que os antioxidantes presentes no chocolate amargo combatem os radicais livres, retardando, assim, o envelhecimento, e ajudam a diminuir os níveis de LDL (o mau colesterol) no sangue. Ele contém vitaminas (A, B, C, D e E) e sais minerais, como o ferro e o fósforo.

Mesmo com todas essas coisas boas, o chocolate é calórico e deve ser consumido com moderação inclusive por pessoas saudáveis.

O chocolate ao leite e o branco são os menos recomendados, devido às gorduras saturadas presentes no leite, aliás. O branco é o pior deles no quesito gordura. Cá para nós, não existe cacau branco, não é? Portanto, esse tipo não leva a massa de cacau e não pode ser considerado chocolate. É obtido a partir da mistura de manteiga de cacau com outros ingredientes.

♥ Reações alérgicas

Pessoas sensíveis podem ter enxaqueca provocada por alergias ou devido à ação de substâncias vasodilatadoras presentes no chocolate, além de irritações na pele, no estômago e na mucosa intestinal. A tosse pode ocorrer como manifestação alérgica, embora não seja comum. A diarreia pode ser causada pelo consumo excessivo, devido ao alto teor de gordura, razão pela qual pessoas com problemas no fígado devem evitá-lo.

Estima-se também que de 10% a 15% das pessoas com doenças labirínticas tenham problemas com o metabolismo de açúcar. A ingestão de açúcar em excesso pode interferir nas estruturas do labirinto, fazendo com que ele mande mensagens erradas ao cérebro.

♥ Chocolate e a serotonina e melatonina:

Ele contém substâncias que estimulam a produção de serotonina, um neurotransmissor que ajuda a combater a depressão e a ansiedade, além de estimular os centros de prazer e de bem-estar, diminuindo o estresse.

Esse hormônio deixa a mente mais relaxada estimulando assim a produção e secreção de melatonina, o que ajuda o corpo a ter uma noite de sono reparador e mais profundo, o que resulta em melhora da saúde física e psicológica.

A melatonina tem sido utilizada nos distúrbios do ritmo biológico, alterações relacionadas ao sono e ao câncer.

Foi lançada no mercado em 1993. Na área de distúrbios do sono, a melatonina tem se mostrado eficaz na correção de alterações do ritmo circadiano (dia/noite) ligados a mudanças de fuso horário e pelo trabalho.

♥ Poder viciante do chocolate:

Ele contém três substâncias que podem provocá-la: a teobromina, a cafeína e a feniletilamina. Para ser caracterizada como dependente, a pessoa precisa consumir chocolate para se sentir bem ou ter sintomas depressivos quando fica muito tempo sem comê-lo. Geralmente, o problema afeta os indivíduos angustiados e os ansiosos.

♥ Chocolate como afrodisíaco:

Dessa crença popular, difundida há séculos, o que se sabe é que ele estabiliza neurotransmissores relacionados a sensações prazerosas, como a dopamina e a serotonina, e favorece a liberação de endorfinas e encefalinas que produzem o prazer, mas não opera milagres.

♥ Intoxicação:

Ela só vai ocorrer se o chocolate estiver contaminado por alguma toxina. Mas o consumo exagerado pode provocar diarreia.

♥ Chocolate e a acne:

Nenhum estudo científico comprova a relação entre o consumo de chocolate e o surgimento de espinhas. Alguns dermatologistas, no entanto, afirmam que pacientes com propensão à acne relatam piora após a ingestão exagerada de chocolate.

Os efeitos de cosméticos e tratamentos para a pele à base de chocolate, disponíveis desde a antiguidade, são duvidosos. O óleo do cacau hidrata a pele apenas superficialmente, podendo ser usado em peles ressecadas ou envelhecidas, embora existam produtos mais eficazes.

♥ O chocolate e o cobre:

O chocolate amargo e outros produtos feitos a base de chocolate são os maiores contribuintes de cobre na dieta diária. O chocolate amargo contém consideravelmente mais cobre do que o que é preparado com leite. Uma barra de chocolate amargo de 85 gramas pode conter 0,75 miligramas de cobre, quantidade superior à dose diária recomendada para os meninos, adolescentes e adultos. Pelo contrário, uma barra de chocolate com leite do mesmo peso, pode conter 0,18 miligramas de cobre, o que equivale a 20% da dose diária recomendada para adolescentes e adultos.         O cobre é essencial na formação do cérebro e do sistema nervoso, na criação de neurotransmissores, na manutenção da elasticidade dos vasos sanguíneos, na formação do colágeno (pele e ossos) e aumenta as concentrações de células de defesa e aumentando a eficácia da resposta imunológica adquirida.

E aí? Já decidiu se absolve ou condena esse saboroso réu?

Rosana Jorge Celiberto (Rosaninha) – @celibertojorge
Professora de Ciências do Fundamental II e Biologia do Ensino Médio do Colégio Spinosa
Bacharel e Licenciada em Biologia pela UNISA
Participação em artigo científico e livros na área da Educação

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